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POR UMA VIDA SEM DROGAS!!!

Certo dia, um pai descobre que seu filho é um drogado, dependente de crack. Faz de tudo para ajudar o rapaz, mas este, ainda que lute para se desenvencilhar da droga, não tem mais forças para largá-la e tenta se matar, até mesmo para se livrar do complexo de culpa pelo desgosto causado aos pais. O pai o acha a tempo ( estava meio de olho), socorre-o e o salva.

 

Alguns dias depois, em conversa com o filho já convalescente, propõe-lhe uma solução extrema. O pai tem uma idéia para devolver ao filho a força para sair daquela situação. Este, desesperado, ainda que sem compreender bem o que o pai tem em mente, aceita.

 

Pegam um carro e vão, somente os dois, para um sítio isolado, longe de tudo e de todos. Ali, tentam lutar contra a droga, cortando lenha, subindo corredeiras, trabalhando pesado até caírem mortos de cansaço. O pai está atento e determinado mais que o fragilizado filho.

 

No segundo dia, o rapaz começa a mudar. Mostra-se indócil, agitado, impaciente, nervoso, irado, truculento, violento. Seu organismo começa a reclamar; precisa daquela droga. Com um pouco mais de tempo, seu organismo exige. O pai vai contemporizando, conversando, distraindo, sabendo que precisa ganhar tempo. Precisa de, pelo menos, uma semana.

 

No terceiro dia, o filho tenta fugir à noite, mas o pai, que a estas alturas está dormindo com um olho só, o intercepta. O garoto está transtornado e louco. O pai o agarra. Cego por dores internas fortíssimas, reage com fúria e tenta correr . O pai se recupera e o alcança. Está determinado a ajudar o filho. A meta é uma semana. Ainda faltam 4 dias, que prometem ser os piores de suas vidas. Agarra o garoto, que tenta agredi-lo  novamente. Mas desta vez o pai é quem o soca violentamente. O garoto cai desacordado.

 

O pai o leva de volta para a casa e o amarra na cama. Quando o rapaz acordo e se dá conta da sua condição, começa a gritar, gemer, xingar, blasfemar, contorcer-se e desafiar o pai, dizendo os piores desaforos. Este tenta abraçá-lo, acalmá-lo com palavras doces e de ânimo, mas é recebido com cusparadas e palavrões. Uma noite de cão.

 

Amarrado, o rapaz fica ali por mais 4 dias. Reclama de dores nas costas, de mau jeito e de dores nas mãos e nos tornozelos, por causa das cordas. O pai tenta afrouxá-las, para aliviar o desconforto e permitir que ele vire-se de lado, mas ele tenta escapar. É preciso lutar, agarrar, bater de novo.

 

Bem, não vou me alongar nos detalhes desse transe medonho. O fato é que a semana se passa e , ao raiar do oitavo dia, o garoto já não está mais suando nem sentindo cólicas nem trêmulo nem com dores musculares. A dependência química está cedendo. Restam, ainda, os fatores psicológicos. Mas esses requerem um cuidado de mais longo prazo. E já não será amarrado numa cama que serão vencidos.

 

Logo pela manhã, o rapaz acorda com um cheiro de café coado na hora, broa de milho, pão, manteiga e outras guloseimas. Uma mesa posta. Ele estava quase de jejum e fica cheio de fome. Então o pai o surpreende com o inesperado. Chega à sua cama com um sorriso e corta-lhe as cordas. Solta-o e convida-o para o café. Ele toma um banho quente e se assenta à mesa. Está mais animado e chega a balbuciar algumas palavras monossilábicas em resposta às tentativas de conversa do pai. Está despertando de um pesadelo.

 

De repente, no meio do café, num gesto brusco, levanta-se e corre para a porta. Num segundo, já está lá na porteira. Mas estranha que seu pai não esteja ao seu encalço. Olha para trás e constata que ele ficou parado na porta da casa. Entre desconcertado e curioso, ele pára, volta-se e arrisca mais uma olhada, como que a perguntar: “você não vai me prender?” O pai entendendo a perplexidade do filho, grita: “filho, hoje você é livre. Das drogas e de mim. Você volta para elas se quiser; volta para mim se quiser. Filho, não quer terminar o café?”

 

Nesta parábola de Rubem Amorese, podemos ver o apreço e o cuidado de um pai que determinadamente apaixonado pelo seu filho lhe colocou diante de uma escolha: ficar ou não para o café. O ser humano é fruto de suas decisões.   Que sua escolha seja sábia e você possa acertar na vida!

 

É o meu desejo.



Escrito por Ezequias às 23h37
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